sábado, 23 de setembro de 2017

Estagiar no Parlamento Europeu » Alojamento

Recentemente, escrevi sobre o estágio que fiz no Parlamento Europeu (aqui). Expliquei como funciona e dei alguns detalhes, mas de uma forma mais geral. Recebi alguns e-mails e comentários com várias dúvidas de pessoas que também estavam interessadas em fazer o estágio.
Decidi escrever sobre algumas das dúvidas que surgiram e que eu também tive antes de fazer o estágio. Hoje, respondo às dúvidas sobre alojamento, contando um pouco da minha experiência com mais detalhes.

Primeiro que tudo, o alojamento no Luxemburgo não é caro, é muito caro!!! Sim, para nós, portugueses, que ganhamos um fantástico salário mínimo de 557€ mensais, pagar quase o dobro disso por um quarto está completamente fora de questão. Há que usar a bolsa de estágio (1293.96€/mês) com cuidado, pois metade ou mais vai logo para o alojamento.

Assim que o estagiário recebe a confirmação de que foi aceite no estágio, é disponibilizada, pelo Parlamento Europeu, uma lista de alojamento para os estagiários. Nessa lista, estão vários quartos e estúdios disponíveis na cidade do Luxemburgo e arredores e os contactos dos proprietários dos mesmos. O Parlamento adverte para as fraudes, pois não há garantias de que aqueles quartos existam. Estas listas não são oficiais, são de pessoas que enviam para lá os seus contactos, pois sabem que várias vezes por ano existem estagiários interessados em alojamento. É sempre aconselhável evitar pagamentos adiantados antes de ter a confirmação de que é de confiança. Uma forma de saber se são de confiança é perguntando a anteriores estagiários, cujos contactos são fornecidos. Existe também um grupo de estagiários no Facebook (reservado apenas a quem tenha sido aceite no estágio), onde podem pedir referências.

Os meus conselhos:
» Tentem, ao máximo, ficar na cidade do Luxemburgo ou próximo dela. Muitas das pequenas terras fora da cidade têm transportes diretos para o centro, mas aos fins de semana e feriados pode ser difícil apanhá-los, pois passam poucas vezes ou, por vezes, nem passam.
» Se possível, visitem o alojamento antes do aluguer. Se conseguirem ir para o Luxemburgo uns dias antes do início do estágio e ficar num AirBnb ou hotel, será ótimo para se familiarizarem com a zona e irem ver o alojamento pessoalmente.
» Levem algum dinheiro convosco para as primeiras duas semanas. A bolsa é paga a dia 15 de cada mês (acho que, no 1º mês, pagam um pouco mais cedo), e vão necessitar de pagar a primeira renda, caução e comida antes de a receberem. Se pedirem, o Parlamento pode adiantar o pagamento de metade da primeira bolsa, mas não vos aconselho a fazerem isso, pois vão andar sempre com o dinheiro contado.

A minha experiência:
Eu andava com muito trabalho na altura em que devia ter andado à procura de alojamento, por isso, esperei até ter férias para tratar do assunto. Tinha quase dois meses para tratar disto e acabei por tratar com três semanas de antecedência (não sejam como eu). Resultado: os alojamentos das listas estavam quase todos ocupados. Estas eram as pérolas que sobravam:
» Quartos partilhados: Para mim, estava fora de questão. Tenho 24 anos, gosto da minha independência e privacidade.
» Alojamentos que não permitiam visitas: Para quem aterra de pára-quedas num país desconhecido, não quer, certamente, passar três meses sozinho. Eu sabia que ia querer receber a minha família para me visitar, por isso, risquei logo esses.
» Quartos sem serventia de cozinha: Claro, eu até passo três meses sem comer! Só que não.
» Alojamento nas fronteiras: Embora muitíssimo mais barato, teria de apanhar mais que um transporte e perder 2 ou 3 horas nisso todos os dias.

Acabei por encontrar na internet uma agência imobiliária que alugava quartos em casas aparentemente espetaculares (Não vou partilhar o nome da agência porque não a recomendo de todo). As fotos eram lindas e as condições pareciam-me ótimas. Escolhi o meu quarto, reservei para os 3 meses (coisa esperta) e paguei as taxas para esse período. A localização era ótima (Gasperich), num bairro calmo e seguro, muito bem servido de transportes.
Cheguei ao Luxemburgo, levantei a chave na agência e fui para a casa. Procurei pelos 4 andares onde andava o meu quarto e não o encontrei. Vi uma porta para o quintal e decidi ir espreitar. Qual não é o meu espanto quando vejo um pequeno anexo nas traseiras da casa. Pois é, era o meu quarto. Era um quarto bom, mas não me agradava a ideia de ter de me levantar a meio da noite e passar pela rua para ir à casa de banho. E ninguém me tinha informado disto, por isso ali não ia ficar de certeza. Além disso, a cozinha era minúscula e era partilhada por dez pessoas.
Falei com a agência, que me mudou de alojamento. Fiquei no mesmo bairro, na mesma rua, mas numa casa muito melhor. Tinha muito mais espaço na cozinha, éramos menos inquilinos e o quarto era dentro de casa.

Ao fim de um mês naquele quarto, achei que precisava de mais espaço para mim. Eu adorava a casa, os meus colegas eram ótimos, mas éramos cinco pessoas a partilhar uma casa de banho (de manhã, era um caos) e eu não tinha onde receber a minha família.
Decidi dar outra vista de olhos pelas listas de alojamento do Parlamento, sem grandes expectativas. Encontrei, por acaso, um estúdio no bairro de Limpertsberg, muitíssimo próximo do Parlamento, e a renda era apenas mais 50€ do que estava a pagar pelo quarto. Teria onde receber visitas e teria um espaço só para mim. Visitei o estúdio, gostei muito dele e, no meu segundo mês, mudei-me para lá. Tinha alguns pontos negativos, sim, mas no geral a experiência foi boa.

Despesas:
Paguei, pelo primeiro quarto, 750€ por mês. Paguei taxas de agência de quase 300€. No fim, por rescindir o contrato mais cedo, paguei quase 200€ de "multa", que me descontaram da caução de 500€
Pelo estúdio, pagava 800€ por mês, mas acabei por gastar mais, pois tive de contratar um serviço de internet por 25€ por mês. Não tinha máquina de lavar roupa no apartamento, pelo que tinha de ir a lavandarias self-service (11€ cada lavagem + secagem), pedir à senhoria para lavar (10€ cada lavagem + secagem) ou recorrer a amigos (que foram maravilhosos e se ofereceram para me ajudar ❤). Esta é outra das coisas mais importantes do estágio. Façam amigos, eles serão a vossa família lá no Luxemburgo! Não sei o que teria feito em algumas situações mais complicadas que tive lá, se não tivesse tido a ajuda dos meus amigos. 

No geral, apesar de todos os pontos negativos, não posso dizer que a minha experiência com alojamento no Luxemburgo tenha sido má. Não foi, pelo contrário. Fiquei sempre bem alojada e não me faltou nada. Já tinha partilhado casa algumas vezes, enquanto estudei na universidade, mas nunca tinha vivido completamente sozinha. Achei que me sentiria sozinha, mas não foi isso que aconteceu. Foi uma experiência muito positiva!

Também queres estagiar no Parlamento Europeu? Tens dúvidas sobre alojamento ou qualquer outro assunto? Escreve-me para blog.mariajoao@gmail.com. 

quarta-feira, 6 de setembro de 2017

Amesterdão

Ir a Amesterdão foi algo que planeei desde o início do meu estágio no Luxemburgo, mas acabei por desistir da ideia, pois o alojamento era caríssimo. Mesmo em matéria de hostels, o mais barato que conseguia por noite em camaratas enormes era sempre em torno de 60€. À última da hora, surgiu um quartinho no AirBnb a um preço bastante acessível. Fiz a mala, apanhei o comboio e fui passar um fim de semana a Amesterdão. A viagem foi bastante longa, mas muito agradável. Vi paisagens lindíssimas.

Museus
Quando planeei a minha viagem, listei vários museus para visitar: Museu de Van Gogh, Casa de Anne Frank, Madame Tussauds, Rijksmuseum, entre outros. Para além de os preços serem muito altos (as entradas custam, em quase todos os casos, em torno de 20€), as filas eram enormes, com várias horas de espera.

Deixo umas dicas para quem quiser ir visitar os museus:
- Quem desejar visitar a Casa Museu de Anne Frank, compre antecipadamente a sua entrada no site oficial. Quem possuir este bilhete tem prioridade de entrada no museu até às 15h30. Só após essa hora é que é possível comprar bilhete diretamente no museu. E enfrentar a fila quilométrica de pessoas que aguardam desde a abertura, às 9 da manhã.
Tive mesmo pena de não saber disto, porque este museu era mesmo algo que queria visitar.
- Por toda a cidade, existem lojas chamadas Tours & Tickets, onde podem comprar bilhetes de museus, tours e combos por preços mais acessíveis do que nas próprias atrações. Não terão dificuldade em encontrar estas lojas, estão por toda a cidade.

Decidi, então, visitar o museu de cera Madame Tussauds que, por não ser único no mundo, tinha uma fila muito mais curta. Era algo que sonhava visitar. Há vários museus da Madame Tussauds por todo o mundo, com diferentes figuras de cera de celebridades. O que eu achei mais giro foi o facto de podermos interagir com as figuras. Podíamos colocar adereços, entrar em cenários, fazer parte de um desfile de moda e até cantar com a Adele. Fiquei fascinada com a perfeição de cada figura. Sem dúvida, é um museu que vale muito a pena visitar.

Madame Tussauds

Passando ao lado das filas enormes, fui andando pela cidade para descobrir as ruas, os canais e a magnífica arquitetura de Amesterdão.
Alguns pontos de interesse em Amesterdão


Uma Coffee Shop (local onde se pode fumar marijuana e outras substâncias legalmente), a montra de uma loja comum de souvenirs (sim, viram bem, chá, brownies, chupa-chupas e biscoitos com marijuana 😜) e a famosa Red Light Street.

Flower Market
A Holanda é conhecida pelos seus campos de tulipas a perder de vista. Infelizmente, já não tive oportunidade de os ver ao vivo e a cores, pois as tulipas foram colhidas duas semanas antes da minha viagem. Mas visitei um lugar que me fascinou imenso, o Flower Market. Bem no centro de Amesterdão, é um enorme mercado onde se pode comprar bolbos de tulipas, flores e plantas variadas, bonsais (crescidos ou por semear), objetos de decoração para jardins e muito mais. É o paraíso de qualquer amante da jardinagem.

Flower Market

Mercados Tradicionais
Passeando pela cidade, dei por mim a entrar neste mercado tradicional. Chama-se Albert Cuyp Market e é um mercado fixo que funciona de Segunda a Sábado. Nele, os feirantes vendem produtos frescos (fruta, legumes, comida pronta), artesanato, utilidades do lar, roupa, flores e muito mais. Senti-me inundada por diferentes culturas e amei esta experiência inesperada.
Mais tarde, soube que há muitos outros mercados deste tipo espalhados por Amesterdão.

Albert Cuyp Market

Passeio de barco pelos canais de Amesterdão
No último dia, decidi fazer um passeio de barco pelos canais de Amesterdão ao fim da tarde. Com toda a sinceridade, não é algo que valha muito a pena. Veem-se paisagens bonitas? Sim, mas são as mesmas que podemos ver a pé. Aprendi algumas coisas sobre a cidade, mas acho que 16€ por um passeio de uma hora não valem a pena.

Viver num barco?
Algo que achei maravilhoso foi o facto de muita gente viver em barcos ancorados nos canais da cidade. Esta prática começou há muitos anos, como forma de fugir às rendas elevadas das casas da cidade. Hoje em dia, é muito caro pagar uma renda de um barco-casa em Amesterdão, pois existem poucos (em comparação com apartamentos e moradias). 
Nestes barcos-casa, era até possível ver pequenos jardins com varandas e espreguiçadeiras. Tudo sempre muito bem decorado e arranjado.
Quem quiser viver a autêntica experiência de Amesterdão, pode sempre ficar alojado num barco. No AirBnb, costuma haver alguns para aluguer.

Alojamento e transportes
Como disse acima, recorri mais uma vez ao AirBnb. Viajar à última da hora para Amesterdão significa hotéis a preços exorbitantes. Com o AirBnb, para além de poupar sempre bastante dinheiro no alojamento, gosto de ficar num local onde tenha liberdade para cozinhar as minhas próprias refeições.
Este quarto amoroso foi onde dormi durante três noites. A casa estava muito limpa e o quarto tinha a cama mais confortável onde dormi em toda a minha vida e, sim, é a Branca de Neve ali na parede! 😄 A anfitriã, Altagracia (perfil do AirBnb aqui), recebeu-me com muita simpatia e deu-me muitas dicas de locais para visitar em Amesterdão. Embora a casa seja num subúrbio de Amesterdão, passava várias vezes por hora um autocarro direto para a estação central.

Fiz todos os meus passeios por Amesterdão a pé, mas deparei-me com muitas lojinhas de aluguer de bicicletas. Fica a sugestão para quem desejar explorar a cidade como os locais 🚲
Dica » Nos autocarros de Amesterdão, não é possível comprar o bilhete com dinheiro. Apenas aceitam cartão de crédito (não aceitam débito). Sugiro que comprem uns quantos bilhetes de autocarro na estação central, onde é possível pagar em dinheiro. 


Não fiz um grande plano da minha viagem, pois ia mais com o objetivo de ver a cidade e as paisagens holandesas. Acabei por perceber que muitos dos lugares interessantes tinham filas com horas de espera e decidi não visitá-los, para não perder a oportunidade de explorar outros recantos desta lindíssima cidade. Mas, mesmo assim, consegui apaixonar-me por Amesterdão, desfrutar da minha viagem ao máximo e ficar com vontade de voltar, pois ainda há muito para ver.